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Os quadros de Marguerite

  • Foto do escritor: AMBIGUUS PROJECTO
    AMBIGUUS PROJECTO
  • 21 de mar. de 2019
  • 1 min de leitura

Nesta obra, escrita ao longo do séc. XX retratando o séc.XVI, a autora constrói um personagem fictício baseando-se em inúmeras figuras reais da época. Zenão leva-nos a navegar por águas intemporais no que ao pensamento humano diz respeito.

Há alguns anos vi a morte a acontecer diante de mim, num monitor, em números e traçados coloridos. Hoje, ao concluir a leitura deste livro, fui guiada por ela através das pinceladas escritas por Marguerite Yourcenar, característica dela que, aliás, já me tinha transportado delicadamente nesta transição entre a vida e a morte naquele que se tornou no mais belo conto lido por mim até hoje: "A Salvação de Wang Fô". Ela possui a desconcertante habilidade de, através da cor, eliminar o supérfluo da morte, produzindo belíssimas telas no nosso imaginário. Nesta "Obra ao Negro" fá-lo duplamente bem, num jogo de pincel e lapiseira , inebriando-nos nas suas cores ao mesmo tempo que nos obriga a permanecer cumplicemente junto do personagem. Lembra-nos que, embora o tempo avance com as suas afortunadas mudanças, se tem mostrado infrutífero na tarefa de combater o receio da massa humana de se sentir e de se ser, penalizando injusta e cruelmente aqueles que o ousam fazer e que assim relembram

aos carrascos o agrilhoamento a que se votaram.

Repleto de um léxico riquíssimo que compõe discussões intrincadas sobre o Homem e o universo com que se relaciona, este livro remete-nos para os tempos negros da Santa Inquisição e dos espíritos livres que a percorreram.


Não deixem que a vossa tela se pinte sem este traço...

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